Chamamos de protetor
bucal a todo artefato de
proteção que colocamos na
boca.
O fato de serem colocados na
boca faz ser natural que os
leigos em boxe achem que sua
finalidade é a protecao da
boca (lábios, dentes e a
mucosa). Em verdade, por
muito tempo os boxeadores
também tinham essa opinião.
Foi só depois que alguns
treinadores mais atentos
observaram que um
boxeador que perde com
facilidade seu protetor
também é um boxeador que é
facilmente nocauteado é
que essa opinião mudou.
Com efeito, querendo
aprofundar essa observação,
alguns médicos e dentistas
-- como foi o caso de James
B. Costen, cerca de 1960, e
Hickey, em 1967 -- fizeram
estudos de raios-X da cabeça
de pugilistas veteranos e
até experimentos com
cadáveres que lhes levaram a
entender as vantagens e
desvantagens dos protetores
convencionais. Esses
estudos, bem como o
surgimento de novos
materiais, como plásticos e
resinas com a capacidade de
dissipar forças em vez de
transmití-las, fizeram com
que a estrutura e finalidade
dos protetores bucais muito
evoluísse.
Como resultado de todo esse
trabalho, temos que
atualmente as finalidades
maiores dos modernos
protetores bucais são ajudar
a evitar lesões cerebrais,
lesões das juntas do queixo,
fraturas da mandíbula e a
herniação da coluna cervical.
Bem atrás em importância,
vem a proteção dos dentes,
gengivas e lábios.

O protetor bucal é uma necessidade imposta pelo boxe com luvas
A segunda coisa para a qual
devemos chamar a atenção é o
fato de que, na época do
boxe sem luvas, não havia
uma tão grande necessidade
de protetor bucal como a que
temos hoje. Naquela época,
como as mãos não tinham a
proteção das luvas, dava-se
muito menos socos do que
atualmente e procurava-se
evitar bater na cabeça do
adversário. Em particular,
nunca visava-se o queixo
pois com isso se correria
grande risco de quebrar a
mão.
O soco no queixo, que é uma
das maiores características
do boxe atual, surgiu só com
as Regras de Queensberry, só
com o boxe com luvas, há
pouco mais de cem anos. Seu
efeito mais visível é o
nocaute (palavra que foi
inventada exatamente em uma
das primeiras lutas com
luvas entre pesos pesados:
John Sullivan x Ryan, em
1882), mas também pode
provocar quebra de dentes e
da mandíbula.
Além disso, na época do boxe
sem luvas, uma luta era
vista mais como uma disputa
para ver quem era o mais
forte, determinado, corajoso
e resistente. A esquiva era
vista como um recurso
desprezível e efeminado.
Assim que os pugilistas eram
bastante discretos no uso de
técnicas de defesa. Essas
limitavam-se ao jogo de
pernas, aos bloqueios e
desvios de golpe com as
mãos, enquanto que
furtivamente passava-se
poções (à base de sal,
cicuta e vinagre) nas mãos e
no rosto para engrossar a
pele e torná-la mais
resistente.
Os primeiros recursos
inventados para atenuar
osefeitos do soco no queixo
foram exercícios de
fortalecimento dos músculos
do pescoço, o uso de uma
guarda mais lateral, fazendo
com que o ombro protegesse o
queixo, bem como a prática
de se lutar com a boca bem
fechada e se respirando
apenas pelo nariz.
Segundo o historiador do
boxe B. R. Bearden, em 1902,
o Dr. Jack Marles, um
dentista de Londres,
inventou o primeiro protetor
bucal: era o gum shield,
ou "escudo de gengivas". Ele
já tinha várias
características hoje
consideradas fundamentais:
era feito com um bom
material, borracha, era
feito sob medida e colocado
na arcada dentária que mais
se projetava. Segundo nos
conta B. R. Bearden, o
boxeador pioneiro na adoção
do gum shield teria sido o
campeão mundial dos
meio-médios, Ted "Kid" Lewis
(170-30-14), a partir de
1909. Muito lentamente, por
razões de custo, a prática
passou a ser adotada por
outros profissionais. >
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